Ariel, bom dia.


Apresento-lhes Ariel.

Ariel é um cara legal.

Ariel é um cara que vive por aí assim como todo mundo. É invisível como a maioria de nós. Não pode ser ouvido assim como a maioria de nós. Mas Ariel quer ser diferente.

Ariel quer existir para sempre. Não fisicamente, porque isso é um mero detalhe. O mundo está aí há bilhões, trilhões de anos, e uma vida se durar um centenário é muito.

A vida é um detalhe. A existência talvez não.

Não respondo pelas palavras dele.

#Ariel

Acordei. Não tinha motivos para me levantar, mas meio que por impulso eu me levantei. Fui em direção a praça do centro da cidade, lá tem uma fonte com água limpa onde lavo meu rosto sempre que estou por aqui.

Gosto desta cidade pois durmo onde quiser e nenhum guarda vem me incomodar. Não sei se porque eles são legais, porque são vagabundos ou se porque tem algum medo, injustificável, de mim.

Falando em medo, eu me divirto com as pessoas desta cidade. Mal me aproximo delas e elas se assustam e me olham torto ou fazem algum comentário do tipo: "disgusting", como diria um amigo inglês.

Depois de enxaguar o rosto eu sento no banco para acordar um pouco. Conforme meu organismo vai acordando _ como se ele dormisse! _ eu me divirto encarando as pessoas que passam pela praça, daqui alguns dias elas vão andar alguns metros a mais para dar a volta e não passar perto de mim.

Perto e longe que são noções bem distorcidas tanto quanto pobreza e riqueza.

Sob perspectivas diferentes o que é perto pode estar mais perto, ou mais distante e vice-versa. A pobreza tem essa mesma coisa. Pobreza é carência. Se sente falta de algo, aquilo te falta, logo és carente, pobre daquilo.

O grande problema é quando as pessoas passam a sentir falta daquilo que não falta. A pobreza é um fator mais psicológico do que real.

Falta de sabedoria, de afeto, de alimentação, de abrigo, de diversão considero como formas de pobreza que devemos realmente nos preocupar. Gostaria que fossem descartadas as necessidades de sermos mais rápidos, andarmos com a roupa da moda, pesar o peso que está na moda.

Tolices.

A sociedade dá corda e enforca-se com ela.

Ouço muito se falar em personalidade, identidade ou algo do tipo, mas sempre vejo pessoas cada vez mais parecidas. Idiotice coletiva.

Escolhi meu jeito de viver e pago um preço por isso. Da mesma forma que julgo idiotas boa parte destes que passam, por PARECEREM-SE iguais, eles também me julgam. O azar é meu de ter um estereótipo desqualificado nesta sociedade maluca.

Melhor que faço é ir atrás de meu café da manhã.

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