URSS [3] - O comunismo

No post anterior falei sobre os problemas que o Império Russo teve após o início da Primeira Guerra Mundial, que culminaram na queda da dinastia Romanov. Assumem os sovietes e os parlamentares da duma numa espécie de duplo-poder. Após os governos provisórios não terem cumprido seu papel de ajudar a população naquilo que ela mais queria, os bolcheviques ganharam força, o suficiente para se organizarem e tomar o poder em outubro de 1917.

Trotsky e Stalín
Temos o segundo Congresso Pan-Russo dos sovietes onde é aprovada a constituição de um novo governo presidido por Lênin e pelo Conselho dos Comissários do Povo (todos bolcheviques), sendo Trotsky o ministro da Relações Exteriores e Joseph Stalín ministro das Nacionalidades.

Nem tudo são rosas para o bolchevismo, é aquela velha história, conquistar é uma coisa, e manter é outra coisa (ou como diria o técnico, poeta nas horas livres, Vanderlei Luxemburgo "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa").
Logo que assume o poder, os bolcheviques votam o Decreto sobre a terra e o decreto sobre a paz e outras reformas como: igualdade e soberania dos povos da Rússia, igualdade dos cidadãos, casamento civil, a separação da igreja e do Estado, controle operário sobre as empresas e nacionalização de algumas indústrias.

Europa após fim da 1º Guerra (1919) - Emerson Kent

Saída da Primeira Guerra: Em 3 de março de 1918 é assinado o acordo de Brest-Litovisk, onde a Rússia aceita a derrota na guerra. Este acordo não prevê anexação nem reparação, com isso perde controle sobre a Finlândia, Países Bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), Polônia, Bielorrússia e Ucrânia (800.000 km²). Estes territórios continham um terço da população da Rússia, metade de sua indústria e nove décimos de suas minas de carvão.


A Alemanha ia tornar-se dona destes territórios, mas no mesmo ano assina sua rendição e estes países tornam-se independentes _ exceto os dois em vermelho que após o fim da Guerra Civil (1922) voltam a ser anexados pela então URSS (ver no mapa).

Guerra Civil: Depois das reformas e do anúncio do novo governo, a zona aumentou: revoluções e guerra civil.

No campo da política os bolcheviques começam a praticar o terror: perseguem os socialistas revolucionários, excluem os mencheviques dos sovietes, dissolvem a Assembléia pois perdem nas eleições. No V Congresso Pan-Russo dos Sovietes adotam uma constituição que consagra o poder único do agora chamado Partido Comunista.



Todos contra os bolcheviques


Ofensivas organizadas por Kerensky são lançadas contra a capital, mas Trotsky consegue contê-lo graças ao Exército Vermelho e os marinheiros do Kronstadt.

Os russos saíram da guerra, e a galera da Entente não gostou, considerando um ato de traição a assinatura do acordo com os países da aliança e o não reconhecimento das dívidas da época do Czarismo. Além disso, a Entente quereria impedir que os ideais bolcheviques se espalhassem pelo resto da Europa. Sendo assim ingleses, franceses, estadunidenses e japoneses enviaram tropas para apoiar o exército branco (tzaristas).

Ah, lembra os socialistas revolucionários que foram perseguidos ? Sim, eles também se unem para atacar os bolcheviques. Eles se estabelecem em Samara, de onde organizavam atentados dentro do território bolchevique.

E como se não bastasse há os grupos anarquistas da Ucrânia (Makhnovistas) liderados por Nestor Makhno, que inicialmente são ajudados pelo exército vermelho a combater as tropas da Polônia (guerra Polaco-Soviética) e brancas (generais Denikin e Wrangel), mas depois entram em atrito e no fim acabam perdendo, voltando a Ucrânia para o domínio da URSS.

O Exército Vermelho contra todos


O Exército Vermelho foi criado por Trotsky em 1918 especialmente para proteger o país da guerra civil. Contava inicialmente com 100.000 voluntários, e no fim da guerra contava com mais de 5 milhões de soldados _ esse crescimento deveu-se a instauração do serviço militar obrigatório.

Um a um, os inimigos vão diminuindo:

Exército vermelho esmagou os exércitos dos generais "brancos";
Em 1919 a Entente deixa o páis;
Em 1920 é assinado a Paz de Riga, selando o fim da guerra Polaco-soviética (ou russo-polonesa como queiram);
No final do mesmo ano tem fim a revolução ucraniana (Makhnovista).

Comunismo de Guerra: Em 1917 Lênin cria a polícia secreta, a Tcheka (ou Checa), e esta tem a tarefa de "reprimir e liquidar", qualquer ato "contra-revolucionário". Os adversários do governo são afastados, a família Romanov é assassinada.

Na luta contra a fome, o produtor que tivesse excedentes de grãos devia entregá-los a população, sob pena de ter seus béns confiscados além de 10 anos de prisão.

Para aumentar os rendimentos, a partir de 1918 é obrigatório o trabalho entre as idades de 16 a 50 anos com pagamento que varia conforme a produção. A partir de 1920 todas as empresas com mais de 5 funcionários que possuíam um motor foram nacionalizadas.

Com isso tudo, a revolução está salva. Mas o país está acabado, perdeu territórios e está isolado no plano internacional.

Komintern e o cordão Sanitário: em 2 de março de 1919 (em plena a guerra civil) foi criado por Lênin a Conferência Comunista Internacional (Komintern), com a pretenção de reunir forças políticas para disseminar o comunismo e organizar as revoluções pela Europa.

Algumas revoluções acontecem na Alemanha, Hungria, Itália mas todas falham em seu objetivo, são facilmente derrubadas pelos governos. Para evitar o contágio da Europa por estas ideias revolucionárias, os EUA do presidente Wilson mais os países da Entente sugerem aquilo que foi chamado de cordon sanitaire (Cordão Sanitário) pelo ex-primeiro ministro francês Georges Clemenceau, que é o isolamento que a Rússia deveria sofrer pelos países que fazem fronteira a ela.

Bom, aparentemente a Rússia está perdida. Mas ainda tinham Lênin, e este irá achar uma outra maneira de começar a mudar esta situação. No próximo post, saberemos o que foi o NEP e a mudança para a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas !

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