A transformação dos relacionamentos através dos tempos


Antigamente o casamento se dava pela escolha dos pais. Dois pais de diferentes famílias conversavam e decidiam o destino de sua filha e de seu filho.

Os noivos se conheciam no dia do casamento.

Duas famílias ricas se uniam através desse casamento.

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Tempos depois, o casamento se dava pela manifestação do filho homem, do varão. Ele decidia com que ia se casar e falava com o pai dela.

Os noivos não se conheciam, o cara só tinha visto a moça e a achou bela.

Ela não tinha escolha a não ser aceitar.

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Tempos depois, o casamento se dava por vontade do casal, claro, desde que com autorização de ambas as famílias.

Os noivos tinham flertado de longe em algum encontro social.

Dessa troca de olhares nasce o amor, que se torna casamento.

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Tempos depois, o casal apaixonado podia se falar mesmo após se conhecerem e manifestarem a vontade de estarem juntos.

Os encontros eram agendados pelo rapaz com a família da moça na casa dela, na sala, sob vigia de algum parente.

Eles não podiam ficar próximos. No máximo, o rapaz podia dar um beijo nas mãos da amada, na entrada e na saída.

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Tempos depois, o casal podia sentar lado a lado no sofá da sala e ficar de mãos dadas.

Supervisionados. E os encontros ainda agendados.

Mas uma visita fora de hora, não constante, não era tão malvista.

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Tempos depois, o rapaz, após pedir a moça em namoro, podia aparecer mais vezes na casa da moça, desde que ela deixasse os pais cientes de sua visita.

Ficavam na sala, e nem sempre vigiados, podiam trocar beijos desde que os pais não estivessem perto.

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Tempos depois, o rapaz não precisava anunciar sua visita, porém, só podia adentrar a casa se a moça estivesse acompanhada de algum parente _ da confiança dos pais.

Já era aceito um relacionamento mais longo.

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Tempos depois, a moça podia visitar seu namorado, desde que fosse acompanhada de um parente _ da confiança dos pais _ e o namorado não estivesse só em sua casa.

(mas aí, sabem como é...)

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Tempos depois, o namorado podia sair de casa com a namorada, acompanhados de um castiçal _ parente da noiva.

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Tempos depois, o casal podia sair a sós, porém com horário para voltar.

O casal já podia ficar dentro do quarto da moça, desde que com a porta aberta _ e a mãe passando na frente do quarto de 5 em 5 minutos.

A ideia de um casamento passava a existir depois de um tempo, tipo um ano, dois... ou até que um dos pares tivesse alcançado algum objetivo pessoal relevante _ um bom emprego, por exemplo.

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Tempos depois, o casal podia iniciar o namoro sem a real necessidade de um pedido. O namorado entrava na família meio que por osmose.

Não podiam ficar trancados no quarto, mas às vezes a família saia e deixava o casal por lá.

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Tempos depois, o casal podia ficar trancado no quarto, mas quando o silêncio era ensurdecedor (ou a cama arrastava) a mãe dava uma passadinha no quarto para saber se eles queriam algo.

Casamento? Vai saber se estes dois vão casar um dia.

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Tempos depois, o casal fica trancado no quarto e às vezes os pais mal sabem que é o rapaz. No caso do rapaz, ele já pode ter trocado de namorada cinco vezes sem que sua mãe sequer se lembre dos nomes.

A comunicação da mãe com a filha ou o filho se dá por sms. Os pais nem batem mais na porta para não incomodá-los.

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Tempos depois, os pais saem da casa para que o casal namore em paz. É um meio de ter os olhos sobre os filhos e uma medida econômica: motel é caro!

Casamento?

Se a moça engravidar (e olhe lá) ou quando o casal atingir seus objetivos pessoais ou quando se sentirem cansados da solteirice ou, vai entender...

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