Exploradore$


Quanto vale acordar às 6 da manhã, tomar seu banho, vestir-se, apreciar um café da manhã, escovar os dentes, arrumar as coisas que necessita, deslocar-se até o ponto de ônibus, pegar um ônibus lotado, descer, andar até o local de trabalho, cumprir sua jornada... até voltar para casa?

A verdade é, não sabemos bem.

Dar valor a produtos é um tanto simples, só é necessário calcular quanto gasta com cada item, considerando matéria-prima, energia elétrica, água, equipamento, embalagem, mão de obra, transporte ... e o lucro.

Mas dar valor para essa mão de obra, como faz? Como decidir que a empacotadora da sua loja ganha R$850,00 e a gerente de compras ganha R$3500,00 ?

Podemos pensar assim: para ser empacotadora não é preciso muita escolaridade, porque tudo que a pessoa tem que fazer é colocar os produtos dos clientes em um saco, ela no máximo terá de separar alguns produtos por sacola, por exemplo, a carne não pode ir no mesmo saco que a água sanitária. E é tudo. A gerente, por outro lado, precisa saber negociar com os fornecedores o melhor valor possível dos produtos a serem comprados pelo supermercado, e isso exige um manejo melhor, uma formação intelectual diferenciada.



É justo que a gerente ganhe mais, pois ela tem mais conhecimento e exerce uma função de maior responsabilidade dentro da empresa. Mas não nos deixemos enganar por uma coisa: ambas as funcionárias tem importância, talvez, não a mesma para uma visão macro do negócio, mas numa visão mais departamento a departamento, elas são igualmente importantes.

Com isso eu quero afirmar que todos os trabalhadores são importantes dentro de suas atividades, uns mais, outros menos, dependendo da função que exercem, ou como exercem suas funções. A formação técnica e intelectual são diferenciais aceitos. E quando digo formação, não falo de diploma _ diploma, normalmente, é só status, ele não prova nada _ falo do conhecimento, no duro, na prática.

Sabendo dessa importância, posso inclusive, fazer uma afirmação mais reveladora ainda: as empresas sem pessoas, não são. Aquele supermercado chique, com gôndolas lotadas, com restaurante, farmácia, academia, lan house e um parquinho para as crianças, jamais seria o que é, se não houvesse o trabalho dedicado do povo que acorda cedo e vai trabalhar.

Posso ir mais longe, a empresa é uma microsociedade, pois ela tem seus próprios regulamentos, métodos, cultura e objetivos.

Sabemos, contudo, que esta sociedade tem um regime ditatorial e hierarquizado. Tem-se os donos, e abaixo deles presidente, diretores, gerentes, supervisores e etcetera. São estes caras que comandam o fluxo todo, determinam e executam as normas. São eles que dizem que uma empacotadora merece R$850,00 e uma gerente de compras R$3500,00, são eles que dizem quantas empacotadoras são necessárias em cada mês do ano. Eles tem seus gráficos, seus números que dizem para eles quais as atitudes são necessárias para que o lucro seja atingido.

Contratar, demitir, são ações comuns do jogo. A recompensa serve como manipulação das peças, para que elas continuem a sempre dar mais de si.

Só que estes jogadores tem um problema externo, acima deles existe a lei do Estado _ que em alguns lugares se faz valer _ logo, eles não podem fazer o que quiser no jogo. Alguns destes jogadores tentam burlar ou extorquir a fiscalização para que fiquem livres para fazer o que bem entender.

Normalmente este "fazer o que bem entender", é algum tipo de atitude que recai seriamente contra os trabalhadores, uma vez que este é um dos maiores gastos das empresas. Sim trabalhador, você custa caro para empresa. Não importa quanto ela lucre, sempre vai dizer que você é caro.

Eu costumo dizer que as empresas não merecem respeito. Não merecem, porque elas não nos respeitam.

Primeiro lugar, elas querem convencer pessoas com baixa formação intelectual, que elas não tem importância, que o cargo delas é para ser um cargo passageiro, que se você não pegar, qualquer outro pega seu lugar, logo é pago uma ninharia. Eu fico inclinado a entender que, algumas empresas não tem como pagar um melhor salário, mas sinceramente, eu ainda assim, não consigo concordar.

Se as pessoas são a parte mais importante da empresa, que sem elas a empresa não existe, o que nós deveriamos ter, era uma espécie de sociedade, onde as pessoas são sócias entre si. Claro, a pessoa que tem o recurso e atitude para abrir o negócio, seguido das pessoas de maior importância no processo, merecem ganhar um pedaço maior, mas não pode haver um abismo com os demais.

As pessoas envolvidas no negócio, todas elas, tem que crescer com o negócio. Não é justo um grupo inteiro ralar o dia todo, para que meia dúzia goze os resultados finais.

Como pode uma empresa fazer bilhões de lucro, ter funcionários ganhando na faixa dos R$1000,00 ?

Empresas que negociam com o sindicato, a "generosa doação" da participação dos lucros, fazê-lo de maneira proporcional ao salário? Quem ganha 1 salário, ganha o PLR vezes 1, e quem ganha 10, vezes 10, faz sentido para alguém?

E não me venham com a lógica do vagabundo: "ele não quis estudar, ele não gosta de trabalhar, é preguiçoso, teve o que merece", me poupem dessa mentalidade neoliberal, ademais, ela não justifica este tema em que estou batendo. Falo da injustiça do manosprezo das funções trabalhistas e da exploração pelo dono da capital.

Empresas ainda dão uma de João-sem-braço e fingem não saber dos direitos trabalhistas, para não ter que pagá-los devidamente. Se o funcionário lembrar, beleza, senão lembrar, passou.

Concordo com um exagero na taxação do Estado, empresa grande tem que contribuir mais com o Estado, e empresas menores, menos.

Mas isto não é desculpa para burlar leis trabalhistas. Empregar um trabalhador como pessoa jurídica, por exemplo, para que a empresa não lhe pague os direitos, é no minímo lastimável. Se a empresa não tem como pagar um funcionário e seus encargos, que não abra suas portas.

A lógica do lucro a qualquer custo deturpa todo o sistema. O que se vê são pessoas subordinadas a outras porque elas lhe pagam, é uma forma de prostituição, sem dúvida.

Isto tudo pode soar socialista, delirante, emocionado, utópico, irreal mas eu não me importo.

[Se bem que, isto não é utópico, tem empresas nos EUA que trabalham dessa forma. Todos partilham os dividendos da empresa. Eu só preciso achar para postar aqui.] 

Mas quem sou eu para questionar o capitalismo e suas perversões? É o melhor sistema disponível, você não tem educação, saneamento básico ou saúde de qualidade, mas pode ter um i-pod e beber uma coca-cola no Mc Donald's =D

p.s. Sem querer eu percebi que passei o texto todo criticando a mais-valia uhsasuhsahuash


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