Iron Maiden: Fear of the Dark

1992, é o ano da ECO-92 no Rio de Janeiro e o ano de Impeachment de Collor, aquele que a globo ajudou a eleger (e a derrubar), né seu Roberto?!

No mundo da música, Megadeth lança Countdown to Extinction; Nevermind, do Nirvana, chega ao topo da Billboard trazendo consigo todo o movimento grunge que começa a dominar as paradas;  Blind Guardian lança Somewhere Far Beyond e Stratovarius seu segundo álbum Twilight Time.

Este álbum melhora em relação ao anterior, e, é o até logo de Bruce Dickinson que vai para sua carreira solo. Bom, mas este assunto vou deixar para o próximo post.

Fear of the Dark
1992 - Fear of the Dark

Be Quick or be Dead começa destruindo!!! Fala sobre as pessoas que estão no poder e controlam nossas vidas, além de nos alertar a não sermos estúpidos e deixar que eles entrem em nossas mentes. Podemos exemplificar com uma parte da mídia (rede Globo, a Fox), com algumas indústrias como as de tabaco, petróleo e farmacêuticas. Eles se agrupam e atuam como a máfia, comprando influências de políticos para aprovarem leis que os beneficiem, atacam seus inimigos e extorquem quando necessário.

From Here to Eternity continua, e finaliza, a saga da puta Charlotte, quando ela se apaixona por um motociclista e deseja ir com ele daqui para a eternidade. No clip é legal que quando ela se casa com o cara, que mais parece um servo de Satã, ele tem um parafuso e ela uma porca, que eles encaixam diante do senhor das trevas, muito romântico =D

Afraid to Shoot Strangers

Segundo Bruce, este som é sobre a Guerra do Golfo, sobre guerras que são iniciadas por políticos e finalizadas por pessoas comuns, que na verdade não querem matar ninguém. O som trata de como funciona a cabeça do soldado ao se preparar para uma batalha, suas dúvidas, seus medos _ principalmente o de atirar em estranhos.

Neste video (em inglês) o soldado estadunidense Jon Turner fala sobre as atrocidades que cometeu na guerra do Iraque.

A Guerra do Golfo (1990-1991) foi iniciada após Saddam Hussein ordenar que o Kuwait fosse invadido por questões petrolíferas, os países do ocidente (EUA principalmente) não gostaram nada da situação _ porque eles teriam problemas com os preços do petróleo_ e com o aval da ONU, uniram-se para parar o Iraque. A guerra acabou em 28 de fevereiro de 1991, com o sucesso da operação Tempestade no deserto, o Kuwait foi liberado.

Este trecho da música:

The reign of terror corruption must end
And we know deep down there's no other way(...)


é um tanto discutível. Harris afirma que "o reino do terror tem que acabar e no fundo sabemos que não há outra alternativa".

A guerra do golfo é claramente uma guerra pelos interesses dos países ricos pelo petróleo. O Iraque era parceiro dos EUA poucos anos antes, e a família Bush tinha negócios com a família Bin Laden, então havia uma parceria, então acho que chamá-los de reino do terror é um tanto hipocrita para um inglês. E, porque de repente o mundo achou necessária a intervenção a favor do Kuwait? Tadinho! A questão era árabe, ninguém tinha que ir lá se intrometer. Mas...

Assista a Operação Tempestade no Deserto (Sandstorm) - History Channel (dublado):



Fear is the key mostra que o Maiden também fala sobre questões sociais. Este som fala sobre a Sindrome da Imunodeficiência Adquirida, a malditamente conhecida AIDS. O som denuncia que a doença já fazia muito mal antes de a sociedade notar a morte de famosos causada pela doença _ Freddie Mercury morreu de AIDS um ano antes.

A AIDS teve seu primeiro caso clinicamente comprovado em 1981, com a identificação de homossexuais com o mesmo quadro clínico, no ano seguinte um bebê de 20 meses morreu por transfusão de sangue, mesmo ano em que se registrou o primeiro caso no Brasil.

De lá para cá, a situação só piorou... Veja alguns dados de 2010 sobre a AIDS (avert):


Estimativa Intervalo
Pessoas com HIV/AID 34 milhões 31,6-35,2 million
Proporção de adultos com HIV/AIDS - mulheres 50 % 47-53%
Crianças com HIV/AID 3,4 milhões 3,0-3,8 milhões
Novas infecções de pessoas pelo HIV 2,7 milhões 2,4-2,9 milhões
Novas infecções de crianças pelo HIV 390.000 340.000-450.000
mortes causadas pela AIDS 1,8 milhões 1,6-1,9 milhões

Não ouçam o papa, usem Camisinha galera!!!

Childhood's End é o mesmo título do romance de Arthur C. Clark (1953), mas não tem nada a ver com o livro haha. O som da Donzela trata da dor, das guerras, da fome, da pobreza, da poluição e levanta uma relevante questão: será que vamos aprender algum dia?

Wasting Love é outra canção que até quem não conhece o Maiden, já ouviu por aí. Falando nisso, foi a primeira música da banda que eu ouvi haha. Dica: se alguém da sua família falar que o Maiden só toca música do capeta, faça-o ouvir este som sem mencionar de quem é, e faça a pergunta no final: "e aí, gostou?"

Este é um som para quem gosta de preencher sua vida com relacionamentos que não valem a pena, só pelo prazer, sem que eles de fato signifiquem algo, e depois, quando a vida traz a conta, sofre por causa da solidão. Triste né?!

The Fugitive, é baseado na série de TV do mesmo nome, que foi transmitida de 1963 até 1967. O seriado trata do cirurgião Dr. Kimble que é preso acusado injustamente de matar sua esposa, enquanto é transportado em um trem, este descarrilha e ele consegue escapar. Agora ele terá que fugir da polícia e descobrir quem foi o real assassino!

Agora, se você assistiu ao filme O Fugitivo (1993) com Harrison Ford e Tommy Lee Jones, esteja certo que o filme é uma reeleitura do seriado.

Aqui um trailler do seriado, em preto e branco, very old ladies and gentleman. E aqui o trailler do filme.

Descobri que o filme US Marshalls (no Brasil, US Marshalls - Os Federais), de 1998, é sequencia do filme The Fugitive. Tommy Lee Jones volta a carga como o mesmo policial Samuel Gerard, e desta vez ele caça Mark Sheridan, interpretado por Wesley Snipes. Só que neste filme há é um esquema de consipiração internacional, e como no filme anterior, o policial volta a sina de caçar um inocente.

Chains of Misery segundo Bruce fala sobre o que os cristãos costumam imaginar: um diabinho nos ombros sussurrando para que você faça coisas ruins. No som ele é representando com alguém que segura as correntes da miséria, aparecendo na forma de outras pessoas.

The Apparition é um som com dicas de Harris de como ter uma vida melhor, quais os sentimentos dele e medos. Ele faz isso no som, usando uma espécie de espirito que se faz presente "quando o quarto fica frio".

Judas Be My Guide fala sobre nossa perda de valores, sobre como tudo está a venda, sobre como traímos a nós mesmos (daí, talvez, o Judas). 

Weekend Warrior é para os hooligans (em português, Vândalos), os guerreiros do fim de semana, que passam a semana toda em suas vidinhas, e depois vão para torcer por seus times (ou torcer para suas torcidas) e arrumam confusão. Parecem apenas viverem disso. Isso se assemelha ao tipo de "torcedor" que temos aqui no Brasil, os imbecis que vão para os estádios para caçar confusão, e ao invés de irem para incentivar seus times, atrapalham e ainda colocam vidas inocentes em risco.

Segundo o portal esportivo Lance! já morreram no Brasil cerca de 155 torcedores nos últimos 24 anos - e esta informação é de abril desse ano, senão me engano de lá para cá, morreram mais 8. Aqui o ranking da violência por torcida.

E, por fim, o clássico Fear of the Dark! Este som fala sobre a nictofobia _ é o nome bonitinho para medo do escuro ou da noite. É o medo do que não se pode ver, e medo de não poder nada ver.

Fala sobre, no escuro: o medo de olhar para os cantos da parede por achar que existe algo te olhando; andar a noite e achar que ouviu passos atrás de você, aí você se vira, e não tem nada lá...

Segundo Bruce, Steve Harris que escreveu a canção, tem medo do escuro.

E muitos de vocês que estão lendo certamente também tem =D

Até a próxima!


Fear of the Dark - 1992




1. Be Quick Or Be Dead
2. From Here To Eternity
3. Afraid To Shoot Strangers
4. Fear Is The Key
5. Childhood's End
6. Wasting Love
7. The Fugitive
8. Chains of Misery
9. The Apparition
10. Judas Be My Guide
11. Weekend Warrior
12. Fear Of The Dark

Formação
Bruce Dickinson - Vocalista
Steve Harris - Baixo e Backing Vocals
Dave Murray - Guitarra
Janick Gers - Guitarra
Nicko McBrain - Bateria

Álbum anterior:
[1990] No Prayer for the Dying

Próximo álbum:
[1995] The X-Factor

Comentários

  1. Bom dia Ricardo. Me chamo Daniel, sou blogueiro também e mantenho um site sobre musica (www.jazzerock.com).

    Conheci as suas postagens sobre os álbuns do Iron Maiden no blog Flight 666 e li todas as matérias.

    Gostaria de saber e pedir, se você me permite postar esses textos no meu blog ? (dando os devidos créditos é claro).

    Tentei entrar em contato com voce de outra forma, mas como não encontrei, usei o espaço dos comentários mesmo.

    Bom segue o meu email de contato. danielfaria85@gmail.com

    Att

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