Exercício de cor


O STF aprovou as cotas raciais no país, e de lá para cá o assunto se tornou comum no cotidiano do brasileiro.

Muitos discordam das cotas e a chamam de afrocoitadismo, outros (como eu) concordam com as cotas. Não que eu ache que é a melhor solução possível, mas alguma atitude devia ser tomada logo.

Eu concordo com as cotas por várias razões, mas uma delas é: eu não acredito em isonomia.

Isonomia é igualdade perante a lei.

Uma invenção da burguesia.

Isso é grotesco.

Não somos socialmente iguais, nem aqui, nem na França, nem na China.

A sociedade não nos fez iguais, não dá a mesma oportunidade para todos, ela claramente tem seus senhores e seus vassalos.

Liberté, égalité, fraternité... aham...

Mas não era disso que eu estava falando, haha.

No ano passado, um fato me chamou a atenção:

No mês de outubro, eu e minha namorada fomos numa palestra na faculdade particular Unisal, em Americana. Entramos no auditório, e como chegamos cedo, ficamos observando as pessoas chegando e se acomodando.

Algo estava errado naquela gente, eu olhei, olhei de novo e não conseguia saber o que era. Até que uns minutos depois, vi um rapaz negro entrando no auditório, e aí a ficha caiu, percebi que praticamente não haviam negros ali. 

Eu contei quantos negros tinha, mas contei sem querer, porque sei lá, me chamou a atenção ver tanta gente branca. Eu não sou bom de contar pessoas no "olhômetro" a partir de 10, mas acredito que umas 100 pessoas tinha, desses, não consigo me lembrar de nem 5 negros.

Neste mesmo evento, um tiozinho que trabalha na APP de Campinas (Associação dos Profissionais de Propaganda), mostrou um video institucional com os empresários que participam da empresa. NÃO tinha UM negro ou negra SEQUER no meio dos mais de 20 empresários brancos e velhos.

Eu não achei o tal video, mas achei este aqui, que mostra o ciclo de palestras. Só vi um único negro no video todo (lá pelos 2:48), e dois rapazes que pareciam morenos. E só.

Um mês depois, fui no evento E-merging de e-commerce em São Paulo, no World Trade Center, zona de gente da grana, onde estavam empresários brasileiros e estrangeiros, pessoas que trabalhavam no Submarino, Fnac, Moip, Visa e etctera.

Utilizei do tempo para fazer novo exercício de sociologia.

Acredito que havia bem mais de 500 pessoas _ tinham várias palestras simultâneas, algumas estavam lotadas e ainda tinha gente do lado de fora das salas _ mais gente entrando e saindo do andar do evento.

Eu contei 7 negros: 3 seguranças, 2 mocinhas que trampavam no evento e os demais de fato eram visitantes.

Nenhum palestrante negro.

Este ano fui com minha namorada no shopping, era um sábado a tarde, umas 16 horas se não me engano, e sentados na praça de alimentação (que passa muita gente) propus a ela contarmos quantos eram os negros trabalhando, e os negros que estavam passeando pelo shopping, aparentemente não a trabalho.

Se não me engano, ou deu empate de 10 a 10, ou os visitantes ganharam por 1.


Acho que negros não gostam de faculdade, propaganda, eventos de e-commerce e shopping, não é?!

Não quero aqui acusar estas instituições, eventos ou comércios de serem racistas.

Nada disso.

Quero apenas provocar a reflexão da participação do negro na sociedade, nos locais onde a sociedade se encontra por N razões.

Entender como metade de uma população é minoria no trabalho, na escola, no entretenimento, porém, é maioira na população carcerária.

Não, não há racismo no Brasil.

Será que a pobreza tem cor?

E aí, quantos negros você viu dentro do ônibus e quantos viu no escritório da empresa hoje?

É meus caros amigos caucasianos, as cotas são um tremendo absuuuuuuurdo...



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