Americana: Uma visita ao hospital

Pronto Socorro. Pronto?
A onda de protestos continua no Brasil, e um dos tópicos mais discutidos é a saúde pública. Não ser/estar saudável é uma das piores coisas que existe, porque além se suportar as dores, você tem que suportar as filas... e estes dias eu passei por isso.

24 de junho de 2013, Segunda feira, aproximadamente 22h30.

Sinto um desconforto no estômago há alguns dias, e finalmente decido ir até o hospital Municipal Waldemar Tebaldi, cujo nome é uma homenagem ao fundador do hospital, médico e quatro vezes prefeito da cidade de Americana.

Peguei a senha, e acompanhado da namorada aguardei uns 10 minutos até que medissem minha pressão e perguntassem o que eu tinha. Voltei para a recepção. Havia no local quase 20 pessoas, das quais, metade, iria ser atendida, as demais apenas acompanhavam. Não me lembro quanto tempo tive que aguardar, mas lembro que acabou Saramandaia e passou parte do filme A Trilha (A Perfect Getaway), na única tevezinha que havia por lá, e finalmente fui chamado.

Antes de entrar, um rapaz de uns trinta e poucos anos estava dormindo com seu cobertor, ocupando 3 cadeiras. Ele não cheirava muito bem e também não parecia preocupado em ser atendido. Nem o PM que foi cumprimentar uma pessoa sentada na fileira de trás, se incomodou com a presença do rapaz _ não pela presença em si, mas por fazer do hospital um albergue.

Fui atendido pelo médico que me encaminhou para medicação. Lá chegando, tive que aguardar em pé uns 10 minutos. Tinha mais gente lá dentro, acho que umas 30 pessoas. Não tinha mais lugar para sentar, nem as cadeiras de roda estavam mais disponíveis _ sim, as cadeiras de roda foram utilizadas como cadeiras comuns _ dava até vontade de dar um rolê nelas pelo hospital.

Os corredores eram verdadeiros dormitórios: uma maca, um espacinho, outra maca... isso até o fim do corredor, em uns quatro corredores. Quem estivesse ali guardando seu "doente", não tinha conforto praticamente nenhum. Se os corredores estavam assim, imaginem os quartos...

Socorro... da hora o fotografo
Uma mocinha que tomava soro vomitou no meio do salão e nenhum enfermeiro foi até ela _ contei uns 3 que passaram por ela e nada fizeram. Ela estava bem enjoada e o chão bem sujo, e assim ficou nos instantes que ali fiquei.

Em defesa dos enfermeiros, tenho a dizer que eles eram poucos e ficavam de lá para cá o tempo todo, carregando medicamentos, papéis ou falando com pacientes. Não estava fácil para ninguém ali.

Tomei medicamentos e fiz exame e falei com outro médico, até aí, foi rápido. Ele pediu que eu aguardasse o remédio fazer efeito, ou seja, 1 hora da manhã. Aguardei até este horário e depois era só falar com ele e provavelmente ter alta. Surgiu uma emergência, um rapaz numa maca, não sei se fora baleado, se passou mal do coração, só sei que 3 guardas municipais estavam aguardando na porta, e se inteirando do que acontecia com ele. Ouvi meio por alto que o rapaz era suspeito de algo.

O médico é o único que pode dar alta ao paciente, mas o único médico presente, era o mesmo que estava na emergência. Sim. No hospital todo só tinha 1 médico. Quando eu fui atendido, 1 hora antes, tinha uns 4 médicos. Mas da 1 hora até às 2 horas da manhã, só tinha 1!

Comigo tinham mais uns 4 impacientes aguardando alta. O médico me atendeu, me receitou um remédio e eu fui para casa com a namorada.

Cheguei no hospital às 22h30 da segunda, sai de lá às 2h20 da terça. Quase 4 horas para medir pressão, me consultar com o médico, tomar medicamento, fazer exame, nova consulta e finally go home!

Bueno, pero no mucho o/
Só por base de comparação, todas às vezes que eu ou minha namorada tivemos que ir na unimed (eu tinha plano de saúde lá), não importa o problema que fosse, levava em média 2 horas entre medir pressão, consulta médica e medicação. Se precisasse de exame, tinha que ir em outro prédio, aí levava até mais que 4 horas. Sehr gut!

Quando era a filha dela quem tinha algum problema, levava em média 1 hora.

A estrutura do hospital WT comparado à Unimed, no tocante a aparência e organização, é bem fraca. Tudo parece arcaico, da pintura das paredes às máquinas.

Quanto ao atendimento, não tenho muito o que comparar, normalmente fui atendido por médicos mal humorados com letra ruim, nos dois lugares.

Desigualdade Social


Não podemos nos esquecer das informações abaixo:

Americana com o 19º IDH do Brasil, e com coeficiente de GINI de 0,40, igual ao de Águas de São Pedro e próximo ao de São Caetano do Sul (0,36). Ver a lista do estado de SP. Americana com mais de 212 mil habitantes, com 4º melhor PIB da Região Metropolitana de Campinas, e o 72º do Brasil.

Vejo nestes números um completo vazio, na pratica, eles pouco ou nada significam. Principalmente quando você sabe o tamanho da desigualdade social vivida neste país. Onde um rico entediado do bairro vizinho compra uma Ferrari e você tem que escolher entre almoçar ou jantar. Num país onde o maior salário é quase 2000 vezes maior que o menor salário.

Cara, não existe nada nesse mundo que justifique este tamanho absurdo. Dinheiro por aí existe, e aos montes, mas vontade mesmo de colaboração, nenhuma.

Diferença entre o menor e o maior salário no Brasil é de 1.714 vezes- Sinal.org
Brasil está em 10º entre 75 países com a maior diferença salarial - G1






Auf Wiedersehen!

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