Uruguai: a legalização da maconha


O Uruguai possui 3,3 milhões de habitantes e possui uma área de 176.215km². Um pouco mais da metade dos uruguaios vive na capital, Montevidéu.

Só para comparar, a população do país é um pouco maior que a da cidade de Salvador, a 3º cidade mais populosa do Brasil. O espaço territorial é um pouco maior que a maior cidade brasileira, Altamira-PA. 

O Uruguai se separou do Império do Brasil em 25 de agosto de 1825, data em que celebra sua independência.


E porque esse interesse súbito nos nossos vizinhos do sul?

É porque finalmente algum país tomou iniciativa para legislar acerca do consumo de uma planta muito loka aí: a cannabis. A legalização da planta foi aprovada na câmara dos deputados, e muito provavelmente será aprovada no senado.

Confiram o que respondeu o presidente uruguaio José “Pepe” Mujica acerca deste tema para o sociólogo Emir Sader.

Emir: “Presidente Mujica, qual é o modelo de legalização do consumo de drogas que seu governo enviou ao congresso?”.

Mujica: “É muito simples, há um público principalmente jovem  que consome marijuana, e se não encontra consome outra coisa. Isto não foi inventado por nós, existe.

Do jeito que a coisa está, não podemos ajudá-los porque estão na clandestinidade.

Mas o pior não são as pessoas que fumam maconha, o pior é o narcotráfico, o negócio que há por trás. Por quê?

Porque quebrou os velhos códigos que havia na delinquência, porque no mundo do crime do passado, também havia certos códigos. O narcotráfico significava dinheiro ou morte. E o exemplo que está voltando vai além do tráfico de drogas. Converte-se numa espécie de câncer do submundo. 

Nós propomos uma estratégia para que o Estado controle e regule esse mercado da maconha, estabelecendo uma dose semanal que vai para a farmácia como se fosse um remédio. Como pode ser um remédio de "boleta verde”. Se a pessoa consome muito, como a temos cadastrada, tentamos ajudá-la para que se corrija.

Com isto roubamos o mercado do narcotráfico, porque até agora o combate repressivo não deu resultado, e então tentamos golpear seu mercado, nos apropriarmos desse mercado. Dará resultado? Não sabemos. O que sabemos é que o método clássico de combater não está dando resultado. Foi isso que propomos, precisávamos fazer outra coisa.”

Aqui o presidente faz uma ressalva: Ele não é a favor do consumo de drogas:

“A maconha é uma droga tão venenosa como o tabaco e como outras drogas. Isto não tem nada de poesia, nem de panegírico [discurso de elogio a alguém], nem que a droga seja boa. É uma praga, mas a praga aí está. Nossa política é uma forma de amortecermos o problema.”


Um órgão do governo será criado para controlar a importação, plantio, cultivo, colheita, produção, armazenamento, comercialização e distribuição da maconha e seus derivados. Os usuários, maiores de 18 anos, serão registrados e poderão comprar 40 gramas mensais nas farmácias credenciadas, e será permitido o cultivo para consumo próprio em casa de até 6 plantas ou em clubes de fumantes.

O consumo de maconha dobrou no Uruguai no último ano. De acordo com o Comitê Nacional de Drogas, a venda anual é de 22 toneladas, e em valores algo em torno de $75 milhões (R$150 milhões).

Se o consumo da maconha sair do controle, Mujica diz que a determinação retrocederá.

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