Pobre Silvia


No dia 13/01, a colunista do Globo, Silvia Pilz escreveu em sua coluna o texto O Plano Cobre.
Ele causou polêmica devido ao esculacho gratuito com os pobres, naquilo que ela chamou de humor ácido.

Ela deu entrevista a BBC dizendo que seu texto não foi ofensivo e que retrata a verdade.

Não sei o que significa ser pobre para ela, quantos salários ela acha que tem que ganhar por mês. Segundo informação da FGV, a renda familiar da classe C varia entre R$1.734 a R$7.475,00, e é nesta faixa que eu me encaixo, então, tecnicamente eu sou pobre.

Não sei de onde ela tirou essa ideia de que pobre gosta de ficar doente. Quando vou a um posto médico, hospital público ou mesmo hospital particular, não vejo ninguém empolgado, feliz, bem arrumado. Sobre todo pobre ter problema de pressão, posso admitir que conheço muita gente que reclama de problema de pressão, mas a questão aqui é mais falta de conhecimento do que um problema de renda.

Pessoas pobres tem menos estudo. Elas precisam primeiro se preocupar em sobreviver, ou seja, ganhar algum troco, e depois pensar nessas "frescuras", como cuidar da saúde, por exemplo.

Depois ela comenta sobre as facilidades do plano de saúde que agora os pobres possuem. Realmente é muito bom cuidar da saúde, e pobre agora pode fazer isso. Antigamente (uns 8 anos para trás) não podia ou tinha muita dificuldade de fazer, em certos casos tinham que ir na Porta da Esperança e se humilhar por um simples exame.

Esses dias atrás, estive numa inauguração de loja de roupas, e para minha alegria, tinha comida free. Eu tenho o que comer em casa, mas coisas free, comida e bebida principalmente, sempre são bem vindas. É um comportamento de pobre?

Quem não gosta de chegar em um lugar cheio de comes e bebes a vontade? As vezes não é nem pelo dinheiro, é pela disponibilidade, tem lá e você consome. Poderia ser $25 centavos o café, que só pelo fato de ter de abrir a bolsa ou a carteira, você não compraria.

Claro que pobre quase não vê dessas coisas por aí, e quando vê, quer aproveitar. 

Ela segue o texto que considerou super divertido comentando a alegria do pobre em ficar doente. Me pergunto, onde ela conheceu estas pessoas? Não consigo imaginar alguém sorrindo e apontando para o cérebro "ahh, estou tão feliz, tenho um câncer aqui".

Não achei o texto dela divertidíssimo, como ela achou, nem acho que ela tenha retratado a verdade. Ela satirizou a meia dúzia de pessoas pobres que ela parece conhecer e só.

Nossas queridas e sedentas por sangue redes sociais não a perdoaram. Ela foi escrotizada por muita gente e até ameaçada de morte. Não há muito o que fazer sobre o assunto, o ódio é um sentimento que se espalha muito facilmente entre as pessoas, mais ainda se você esta sentado na frente do computador sem contato direto com a "vítima".

Ela reclamou que não ofendeu ninguém. Ora. Não cabe a ela esta afirmação. Ela foi a emissora da informação, e os leitores são os receptores desta. São os receptores que julgam se gostaram ou não da informação que receberam. Ela pode não ter tido a intenção de ofender, mas, nunca se deve esperar que centenas de pessoas entendam o que se passa pela cabeça dela.

Eu, receptor, não achei o texto ofensivo mas tampouco o considerei engraçado. Este texto sarrista não ajuda em nada a nossa sociedade e só sedimenta a visão rasa que as pessoas possuem acerca do "comportamento do pobre" e reforça o preconceito contra este grupo.

Agora, este techo da entrevista dela para a BBC é bem interessante:


BBC: Gostaria de deixar alguma mensagem aos leitores ou não leitores?

Não. Só acho que as pessoas deveriam de repente serem menos ofensivas, tomarem muito cuidado.

BBC: Você pretende tomar cuidado em ser menos ofensiva em seus próximos textos?

Não. Eu não sou ofensiva. Eles veem como ofensivo. Eu sou divertida nos meus textos. Eu nunca fui ameaçada, foi a primeira vez. Fui ameaçada de morte nos comentários.


É Silvinha, quem fala o quer...

BBC - #SalaSocial: 'Verdade dói', diz colunista que ironizou pobres e planos de saúde

FGV - Qual a faixa de renda familiar das classes?

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