Mimimi Go!


Existe um fenômeno que eu custo a entender como funciona, que é quando as pessoas são críticas demais com coisas banais, e críticas de menos com coisas importantes. Eu vou chamar isso de "Criticidade Seletiva". É como se um prédio cheio de gente estivesse pegando fogo e a pessoa está preocupada se esqueceu a TV ligada.

Novela,
futebol,
programas policiais,
jornal nacional,
BBB,
netflix,
livros de autoajuda,
compras no shopping,
video game,
facebook,
orkut,
msn,
youtube,
dormir demais,
celular,
festas,
álcool,
drogas,
pornografia,
internet,
música,
religião,
dinheiro,
trabalho.

Tudo isso (e muito mais) é capaz de afastar, apartar, separar, alienar as pessoas das grandes questões da vida. E eu diria que até mesmo pensar nas grandes questões da vida, sem dar alguma forma de ação a elas, é uma forma de se alienar. Vivemos distraídos e a distração é a chave da paz passageira. Enquanto estamos distraídos não lutamos, não pensamos em revolução, não pensamos em mudanças. Pelo contrário, ficamos felizes passageiramente, e vamos buscando cada vez mais distrações para evitar a dor de lidar com o vazio, com uma vida sem sentido e com o sofrimento da realidade.

O utilitarismo de quem pensa "tempo é dinheiro" é uma marca do nosso tempo, um pensamento particularmente novo na história da humanidade, e um pensamento triste, pois torna o ganho de capital não um meio, mas um fim em si mesmo _ se vive para ganhar dinheiro. Isso combinado com uma sociedade que cada vez mais busca sua felicidade no consumo, que busca "ter" e não tanto "ser", ou busca ilusoriamente "ter" para "ser". Uma mostra disso é o valor que damos para pessoas ricas não importa seu caráter, não importa como conseguiu tudo aquilo que tem: se mereceu, se usurpou ou apenas teve sorte.

A questão não é só o que fazemos, mas porque fazemos algo, com que nível de consciência fazemos. Um psicólogo poderia muito bem assistir o BBB para fins de estudo, para entender como funciona a mente humana naquelas circunstâncias. Alguém que assiste o jornal nacional pode muito fazê-lo tendo ciência que é um jornal da plutocracia para a plutocracia e não se deixar enganar por algumas notícias. Alguém que lê "Como ganhar seu primeiro milhão", pode muito bem saber que a pessoa que escreveu não tem um tostão furado no bolso, mas que tem conselhos que podem ou não lhe servir.

O entretenimento faz parte da nossa vida e temos que saber lidar com ele, saber a hora de desligar o cérebro e se deixar levar e saber a hora que temos que religá-lo e viver a realidade.

O Pokemon Go é só mais um entre todos os meios de distração que temos disponíveis na sociedade. Colocar a culpa dos problemas do mundo neste joguinho é muita inocência, ranhetice ou como diria a mais fina filosofia: dor de cotovelo da alegria dos outros!

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