A Moça da Rua



A moça da rua

Numa destas tardes tristes de mais-valia,
sob a árvore com os pés descalços eu lia.
Quando olhei de relance para a via,
eu a via.

Uma moça que não era bela,
tampouco fera.
No horizonte seu olhar mirava,
com elegância e pressa caminhava.

Noutro dia
a mesma cena se repetia.
A mesma moça a caminhar,
mas desta vez não havia como não notar.

Um carrinho de bebê, sem bebê no lugar,
estava despreocupada a carregar.
A mente humana, como sabem,
é bacana, sacana, encana.

Na leitura perco a atenção
e uma pergunta tola surge como assombração:
"Para onde ia
a moça, óh moça, que passa todo o dia?"

A consciência que nunca apronta,
logo aponta: "não é da sua conta".
Mas a curiosidade decretou que responder a tal questão vazia,
era ordem do dia!

Será que ela tem filhos?
Será que tem brilhos nos olhos e olhos nos brilhos?
Será que conhece o lado negro da lua e o canto escuro da rua?
Será que coleciona amores e dissabores?
Será que imagina, que sob está árvore sombria existe alguém que a vigia?
Será que sabe que dessa mania não resisto, não desisto?
Será que ela sabe que eu existo?

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