Ele segue...


Num dia como os outros,
numa triste tarde
tarde ele parte
não se sabe para onde vai,
ele se vai, se esvai.

Não tem vontades ou saudades.
Os olhos estão fundos,
os cabelos imundos,
os pensamentos profundos.

Não tem seguidores,
nem amigos nem bateria
mas loucamente ria,
chorosamente se divertia,
do tempo que perdeu
que se perdeu.

E ele vaga pelo mundo deserto,
incerto
de onde quer chegar.
Mas tanto faz onde ir
se não sabe onde quer chegar,
e é esta ideia fixa que pretende mudar.

Achar onde está da vida o ar a se respirar,
os olhos que farão o seu brilhar,
a faísca que irá lhe inflamar.

Talvez esteja muito distante,
mas neste instante,
está muito confiante,
e acredita que ainda há onde chegar.

Não teme mais a morte
nem a vida
Secaram as lágrimas,
fecharam-se as feridas.

Apenas as cicatrizes a mostrar
não para não lembrar,
mas para se orgulhar,
quanto teve que lutar.

E se o pulso ainda pulsa,
e se a vida ainda vive,
e se a morte ainda é paciente,
há mais um dia de se seguir em frente.

E ele segue...

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