Iron Maiden: The Final Frontier

E depois de 14 álbuns, e quase 30 anos do lançamento de seu primeiro álbum, chegamos ao 15º álbum da banda: The Final Frontier.

Sabemos que não é o fim da banda, eles vão lançar outro álbum em 2015. Mas muito se dizia que Harris iria encerrar os trabalhos no 15º álbum da banda, e para ajudar, ele tem logo o nome de "Jornada Final", que é para deixar qualquer fã da banda apreensivo _ inclusive este que vos fala.

Ano de 2010, vamos voltar um pouco no tempo:

Pepe Mujica assume a presidência do Uruguai.
Dilma Rousseff é a primeira mulher eleita presidente do Brasil.
A Espanha vence a Copa do Mundo de futebol masculino.
Morre aos 87 anos, o escritor português José Saramago.

Na música, uma das maiores perdas já sofridas pelos fãs do heavy metal: Ronald James Padavona, Dio, morreu aos 67 anos após enfrentar um câncer no estômago. Não foi apenas quem popularizou a "Mão Chifrada" ou maloik, mas foi um dos maiores (não de altura) vocalistas do estilo. [Aqui algumas palavras de Bruce para Dio, antes do show].

Lançamentos:

Gamma Ray, To the Metal;
Blaze Bayley, Promise and Terror;
Dark Tranquillity, We Are the Void;
Slash, Slash;
Sabaton, Coat of Arms;
Ozzy Osbourne, Scream;
Avenged Sevenfold, Nightmare (com Mike Portnoy na batera);
Blind Guardian, At the Edge of Time;
Angra, Aqua;
Motörhead, The Wörld Is Yours.

Chega de mimimi nessa porra e vamos lá: The Final Frontier. Up the Irons \m/

The Final Frontier

2010 - The Final Frontier

Satellite 15 ... The Final Frontier, o som começa com o astronauta narrando seu desespero por estar fora da rota espacial e tentando algum contato com o comando para se salvar. É uma intro longa, e bem que os caras podiam ter fatiado o som em duas partes, mas...

Na segunda parte, The Final Frontier, o astronauta se lamenta de estar perdido, sem ter chance de escapar. Enquanto se aproxima de virar churrasquinho queimado do sol, ele reflete sobre sua vida.

Quando me deparei com esta letra, realmente pensei que a banda iria encerrar suas atividades. Pois a letra toda tem tom de despedida, com frases como

I've had a good life, I'd do it again
Maybe I'll come back some time afresh

(Tive uma boa vida, e faria tudo de novo
Talvez eu volte de novo)

If I could survive to live one more time, I wouldn't be changing a thing at all
Done more in my life than some do in ten (...)

(Se eu pudesse viver novamente, eu não mudaria nada
Fiz mais em minha vida do que muitos fazem em dez [vidas])

El Dorado é sobre um vigarista que tenta iludir alguém a ir para a busca da lenda de El Dorado:

Em 1534, enquanto Cuzco caia nas mãos de Francisco Pizarro, Sebastian de Belalcázar conquistava o Quito. Durante sua expedição, Sebastian teria conhecido um índio e prisioneiro em Lacatunga, que teria lhe contado sobre seu rei que vivia numa terra chamada Cundinamarca. Esta terra tinha tanto ouro, que o rei costumava cobrir o corpo com pó de ouro como oferenda aos deuses, no meio do lago Guatavita (Colômbia). Nascia ali a lenda de El Dorado _ pelo menos esta é a versão mais difundida dela. A história foi se espalhando e tinha quem contava que a cidade toda era feita de ouro, e muitas expedições foram feitas para encontrá-la.

Como vocês podem imaginar, ninguém encontrou a tal cidade nem o índio de ouro.

[Rota Bogotá - Lago Guatavita e fotos]

Na frase "I'm jester with no tears" é citado o som "Script for a Jester's Tear", do álbum de mesmo nome de 1983, da banda inglesa Marillion. O Blind Guardian também cita o Marillion no som Script for my Requiem, no refrão

Returning of the miracles
it's my own requiem
the jester's tearsthey are inside me
agony's the script for my requiem
Returning of the miracles
it's my own requiem
is the script already written
jester's tears I cryyes, I cry

[Não encontrei nenhum citação sobre Jester's Tears antes do Marillion, então também não posso afirmar se isto está em alguma obra literária. Se alguém encontrar, deixe nos comentários].

Mother of Mercy é outro som que fala sobre o sentimento de um soldado em uma guerra. Vamos para o fim da música

I'm just a lonely soldier fighting in a bloody hopeless war
Don't know what I'm fighting, who it is, or what I'm fighting for
Thought it was for money, make my fortune, now I'm not so sure
Seem to just have lost my way

Sou apenas um soldado solitário em uma guerra sangrenta e sem solução
Não sei o que estou lutando, por quem ou para que
Pensei que fosse por dinheiro, ficar rico, agora não tenho certeza
Parece que estou perdido.

Tirando o fim da música, fico inclinado a achar que é o ataque ao Iraque _ cujos os principais aliados eram Reino Unido e EUA.

I always thought I was doing right
As of now I'm not feeling so sure

Sempre achei que estava fazendo certo
Agora não tenho tanta certeza

Hussein, treinado pelos EUA e descartado.
A premissa da guerra contra o Iraque era falsa, uma vez que o Iraque não possuía as tais armas de destruição em massa que tanto alegou a administração Bush (2001 - 2009) _ todos sabem o que os EUA queriam, "It's the Oil, stupid!"

No meio da música ele fala sobre religião e sobre alguém que se diz ser um homem santo, e que de santo nada se vê. Bom, isto era típico do Bush de se fazer de religioso enquanto invadia outros países com a desculpa da guerra contra o terrorismo.

Coming Home é Bruce descrevendo a sensação de voltar para sua casa enquanto pilota. Lembrando que além de pilotar o avião Ed Force One e levar o Iron Maiden pelo mundo, Bruce também faz voos comerciais.

Na letra, quando Bruce diz "to Albion's land", ele se refere ao antigo nome da ilha da Grã-Bretanha _ da época celta.

O Ed Force One é um Boeing 757 que foi utilizado pela banda, e pilotado por Bruce, nas turnês Somewhere Back in Time World Tour (2008 - 2009) e na turnê The Final Frontier World Tour (2011). A banda gravou o documentário Iron Maiden: Flight 666 que foi lançado em abril de 2009. O filme registra os bastidores da turnê Somewhere Back in Time World Tour, onde eles percorreram 70.000km, passando em 5 continentes, fazendo 23 shows em apenas 45 dias!

The Alchemist fala sobre John Dee (1527 - 1608), inglês, matemático, astrônomo, astrólogo, geógrafo e ocultista.

Dee começou sua carreira como um matemático e filósofo. Por volta de 1556, Dee tinha a maior biblioteca da Inglaterra em sua cidade Mortlake, que se tornou um centro de aprendizado fora das universidades. Entre as décadas de 1550 até 1570 Dee foi conselheiro da rainha Elizabeth I (a última monarca da dinastia Tudor), auxiliou na parte técnica das navegações e também na parta ideológica, sendo favorável a criação do Império Britânico.

My dreams of empire from my
Frozen queen will come to pass


Mesmo tendo algum sucesso no campo da matemática, Dee ainda não estava satisfeito, pois julgava ainda ter pouco conhecimento sobre os segredos da natureza, além do ego ferido, por ter pouco reconhecimento sobre seus trabalhos. Começou então a se voltar para o sobrenatural.

Conheceu Edward Kelley (1555 - 1597) que foi seu ajudante nos assuntos místicos. Dee começou a acreditar que falava com anjos e que estes lhe enviavam sinais. Viajou com seu ajudante pela Europa tentando convencer outras pessoas sobre suas "descobertas".

Até que 1587, Kelley sacaneou o parceiro. Disse a Dee que o anjo Uriel ordenou que os dois compartilhassem todos os seus bens, inclusive suas esposas.

I curse you edward kelly your
Betrayal for eternity is damned

Na época Kelley era mais famoso e ganhava mais dinheiro que Dee, e talvez tenha feito isso para afastar o parceiro. Dee, mesmo contrariado, fez "o que o anjo ordenou", mas logo em seguida abandonou a empreitada e voltou para a Inglaterra em 1589.

Isle of Avalon é sobre outro local lendário. Nesta ilha teria sido forjada a espada Excalibur, que pertencia ao rei Arthur. A primeira citação desta lenda vem da obra do clérigo Geoffrey of Monmouth, Historia Regum Britanniae ("A História dos Reis da Bretanha") de 1136.

Esta obra traça a genealogia dos reis ingleses desde 1100 AC, e claro, o rapaz tinha muita imaginação _ não existem evidências históricas sobre o rei Arthur. Mas graças a esta obra, toda uma literatura foi criada ao redor das lendas do Rei Arthur.

Starblind é um som bem complexo, cheio de metáforas. Mas de forma geral, Bruce quer que vejamos através de seus olhos e possamos refletir sobre a vida.

Let the elders to their parley
Meant to satisfy our lust
Leaving damacles still hanging
Over all their promised trust

Aqui ele fala dos velhos que pedem que confiemos em suas palavras de salvação. Ele cita Dâmocles para dizer que estas promessas podem se mostrar vazias a qualquer momento. 

Dâmocles é personagem da anedota moral "A espada de Dâmocles". Dâmocles dizia que Dionísio era um homem afortunado por possuir tanto poder e autoridade. Dionísio ofereceu-se para trocar de lugar com Dâmocles por um dia, entretanto, pediu que uma espada fosse pendurada sobre o pescoço de Dâmocles e presa por um fio de rabo de cavalo. Dâmocles, óbvio, declinou da oferta. Com isso, Dionísio queria demonstrar que mesmo tanto poder pode lhe ser tomado de repente.

Walk away from freedoms offered
By the jailors in their cage

Fuja das ofertas de liberdade
dos carcereiros em suas celas.

Ou seja, o cara vive em seu mundinho como um ignorante e miserável, enquanto tenta convencer outros do que é a liberdade. E o som segue nessa vibe de dar lições de vida as pessoas.


The Talisman é sobre uma galera que está fugindo de seu país, para nunca mais voltar, em 10 navios rumo a uma terra cheia de fortunas e sonhos . Uma tempestade os atinge no caminho, 4 destes somem, e depois outra tempestade os atinge. O talismã, que não sabemos o que é (uma cruz?) está nas mãos do narrador.

Passaram 20 dias sem comer e 10 sem água potável. Alguns morreram na tempestade e outros foram mortos por terem escorbuto _ que é uma doença causada falta de vitamina C e era muito comum entre os marinheiros que passavam muito tempo em alto mar.

Westwards we sail on - Velejamos para o Oeste

Talvez o som fale sobre o peregrinos que vieram fugidos da Europa para a América, mas isso não fica claro _ até porque os detalhes da letra não batem com a descrição histórica.

The Man Who Would Be King é sobre um cara (quem?) que queria ser rei, e só.

When The Wild Wind Blows é inspirado no filme When the Wind Blows de 1986, dirigido por Jimmy Murakami. O filme por sua vez, é adaptado do graphic novel de mesmo nome, feito por Raymond Briggs em 1982.

A história é de um casal que ouve no rádio que em três dias haverão ataques nucleares contra o país. Jim constrói uma proteção subterrânea contra explosões, enquanto lembram-se da época da segunda guerra mundial _ o resto não vou contar, vejam o filme [aqui].

O som vai nesta mesma direção, o casal ouve a notícia que uma catástrofe inevitável irá acontecer, algo que iluminará todo o céu. Eles coletam tudo que podem e levam para um abrigo esperando sobreviver por um ano ou dois.

Fazem um chá e sentam-se calmos, apenas esperando para ver o que vai acontecer.

When they found them, had their arms wrapped around each other
The tins of poison laying nearby their clothes
The day they both mistook an earthquake for the fall out,
Just another when the wild wind blows...

Quando foram encontrados, estavam abraçados
As latas com veneno caídas próximas de suas roupas
O dia em que confundiram um terremoto com uma explosão
Apenas outro quando o vento selvagem soprar...

E é isso aí galera, eu ia dizer que acabamos por aqui, mas Eddie deixou este cartão no natal



Agradeço as fontes (fóruns, sites de letras e etc) e principalmente ao Iron Maiden Commentary. Vocês que sabem ler em inglês (ou gostam de usar tradutor), recomendo visitar a página dos caras, é bem completo e interessante o trampo deles.

Agradeço também a galera que tem compartilhado estes posts pelo facebook, em seus próprios blogs, seja copiando, seja editando, não importa, o mais legal é espalhar para a galera que curte a banda, as histórias que estão por trás de cada som, e nos surpreendermos cada vez mais com a genialidade destes ingleses.

E até o próximo álbum \m/


The Final Frontier - 2010



1. Satellite 15.....The Final Frontier
2. El Dorado
3. Mother Of Mercy
4. Coming Home
5. The Alchemist
6. Isle Of Avalon
7. Starblind
8. The Talisman
9. The Man Who Would Be King
10. When The Wild Wind Blows

Formação:
Bruce Dickinson - Vocalista
Dave Murray - Guitarra
Janick Gers - Guitarra
Adrian Smith - Guitarra, Backing Vocal
Steve Harris - Baixo, Backing Vocal
Nicko McBrain - Bateria

Álbum anterior
[2006] A Matter of Life And Death

Próximo álbum
[2015] The Book of Souls

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